Desencontros

Escrito por Valter Junior.

Um amigo me escreve e me diz que desejou me visitar, mas não o fez porque achava que eu preferia ficar sozinho nesses tempos difíceis. É duro ler isso, principalmente ao me lembrar de dias em que me senti só e orava a Deus pedindo que alguém me ligasse, escrevesse ou me visitasse. Fiquei pensando em quantos desencontros acontecem assim.

Naturalmente ao esperar e não obter, tive em algumas vezes a iniciativa de ligar, escrever ou visitar alguém. Noutras a sensação terrível de solidão e desamparo se dissipou em face de alguma ação de Deus me falando ao coração de tantas formas e maneiras.

Não sei o que as pessoas farão quanto a mim, mas sei o que farei de agora por diante, não permanecerei na dúvida quanto a se o que sofre deseja ou não ficar sozinho, vou procurá-lo e oferecer minha companhia. No máximo, ele me dirá que agradece, mas deseja ficar só. Assim, não correrei o risco de deixar de abençoar alguém com um abraço, companhia e atenção por achar que ele não deseja o pouco que posso oferecer para confortá-lo e consolá-lo.

Sou grato a Deus por todos que me ligaram, escreveram e visitaram e lamento pelos que poderiam ter feito isso, mas não o fizeram por deduzir que eu não queria qualquer contato. Não os culpo e certamente a maioria deles tem uma justificativa. Mas, me deixando de lado, que tal pensar nos que estão sofrendo no presente e como agiremos com relação a eles? Vamos ligar, escrever ou visitar ou não faremos nada disso porque pode ser que eles queiram ficar sós em um momento de dor?

E ainda temos a inclinação natural de considerarmos que o pastor ou ministério responsável pela visitação na igreja já está assistindo ao que sofre, como se o trabalho destes pudesse prescindir o apoio de outros aos quais é dado igual privilégio.