Escrito por Valter Junior.

Vejo que quase sempre espero dos amigos mais do que seria razovel. Na verdade percebo claramente isso exatamente quando fico frustrado com eles. Quando espero deles e no recebo porque estou esperando mais do que seria razovel.

Tendo a depositar sobre os ombros dos amigos frustraes que tive ou tenho com pessoas de um outro nvel de relacionamento. Cobro dos amigos o que no tive do meu pai, av, tios e irmos. Por ter claro na mente que existem amigos mais chegados que irmos, passo a exigir deles uma lealdade prpria de um relacionamento de irmos co-sanguneos.

Na realidade os relacionamentos co-sanguneos apontam para o que se deseja pensar sobre eles em nvel de corao e alma, mas que pode no vir a acontecer ou se concretizar.

No fim, quando me frustro com meus relacionamentos vejo que a soluo est em mim e no nos que do causa s minhas frustraes.

Se o amigo no vem, procuro preencher o vazio que a ausncia dele deixa e quando ele vier, no precisarei fazer isso.

Quando o amigo no diz, procuro preencher o vazio que o silncio dele deixou, mas quando ele disser, no precisarei fazer isso.

Talvez seja uma questo de expectativas bem dimensionadas o minimizar e evitar frustraes o quanto possvel. Espero, se no recebo, me viro para resolver isso. Espero e recebo pra saber que isso acontece e pode acontecer novamente.

De fato melhor dar que receber, seja para o prximo, seja pra mim. Ser autor soa bem quando a obra boa, mas quando sou o autor de uma expectativa mal dimensionada que resulta em frustrao, opto por no nomear o autor de tal obra. Preciso me reconhecer autor do que me causa frustraes para tambm me tornar o autor de atitudes que diminuem a possibilidade de tais frustraes, bem como possibilitam preencher os vazios que me fazem sentir frustrado. Atuo assim na preveno e correo do problema.

Pronto estou ento para perdoar e me perdoar. Celebro os encontros e sou criativo nas ausncias. J que Deus nunca se ausenta, pelo menos ns dois sempre comparecemos aos encontros.

Sou grato a Deus por meus amigos e pela forma que encontrei para mais celebrar a existncia de cada um do que lamentar a ausncia deles. Tenho mais irmos em Cristo que amigos, mas sei que os irmos em Cristo tem imenso potencial para serem amigos e isso acontece com freqncia. Desse modo, os irmos em Cristo podem se tornar meus amigos amanh. Mas tenho amigos hoje que no so irmos em Cristo, pelos quais oro para que se tornem um dia, de modo que a amizade seja eterna.

Aqui e ali me verei lamentando, mas que o lamento me sirva para que eu veja como est meu corao e caminhe na direo do que pode ajud-lo. Nos Salmos achamos lamentos e celebraes, cada qual tem seu lugar nessa existncia. Deus nos ajude a lidar com ambos e amadurecer.