Pela Pespectiva de Deus

Escrito por Max Lucado.

Compartilho com todos que agora choram ao se despedirem de alguém que amam, um texto que muito me ajudou quando precisei fazer o mesmo.
 
Não gostamos de dizer adeus a quem amamos. Mas temos de fazê-lo. Por mais que tentemos evitá-lo, por mais relutantes que estejamos para discutir a questão, a morte é uma parte muito real da vida. No final, todos nós devemos soltar a mão dos que amamos, deixando-os nas mãos daquele que não vimos.
 
Você consegue se lembrar da primeira vez em que a morte o forçou a dizer adeus? A maioria de nós consegue. Eu consigo. Quando eu estava na terceira serie, cheguei da escola, um dia, surpreso ao ver o caminhão de meu pai na entrada de casa. Eu o encontrei em seu banheiro fazendo a barba.
 
- Seu tio Buck faleceu hoje – ele disse. A noticia fez com que eu me sentisse triste. Eu gostava do meu tio. Eu não o conhecia bem, mas gostava dele. O acontecimento também me deixou curioso.
 
No funeral, ouvi palavras do tipo partiu, passou dessa para melhor, se foi. Esses eram termos estranhos. Eu me perguntava: Partiu para onde? Passou dessa para quê? Foi-se por muito tempo?
Sem duvida, descobri desde então que não sou o único que tem perguntas sobre a morte. Ouça qualquer discussão sobre a volta de Cristo e alguém perguntará: “Mas e aqueles que já morreram? O que acontece com os cristãos entre a sua morte e a volta de Jesus?”.
Ao que parece, a igreja de Tessalônica fez a mesma pergunta. Veja as palavras do apostolo Paulo para ela em 1 Tessalonicenses: “Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não tem esperança” (4.13).
 
A igreja em Tessalônica já havia enterrado sua parcela de entes queridos. E o apostolo queria que os membros que restaram estivessem em paz com relação aquele que se foram. Muitos de vocês já enterraram entes queridos também. E assim como Deus falou com eles, ele fala com vocês.
 
Se, neste ano, você comemorar o aniversario de casamento sozinho, Deus falará com você.
 
Se seu filho foi para o céu antes de ir para o jardim de infância, Deus falará com você.
 
Se você perdeu um ente querido, vitima da violência, se aprendeu mais do que gostaria de saber sobre uma doença, se seus sonhos foram enterrados enquanto o caixão descia a terra, Deus falará com você.
 
Ele fala com todos nós que ficamos ou ficaremos em pé na terra fofa ao lado de um tumulo aberto. E, para nós, Ele dá esta palavra de confiança: “Não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não tem esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram” (1 Tessalonicenses 4.13,14).
 
Deus transforma nosso sofrimento desesperado em um sofrimento cheio de esperança. Como? Dizendo que veremos nossos entes queridos novamente.
 
Não é nisso que queremos acreditar? Desejamos saber que nossos entes queridos estão seguros com a morte. Desejamos a certeza restabelecida de que a alma vai imediatamente ficar com Deus. Mas temos coragem de acreditar nisso? Podemos acreditar nisso? Segundo a Bíblia, podemos.
 
A Bíblia, surpreendentemente, é reservada com relação a esta fase de nossa vida. Ao falar sobre o período entre a morte e a ressurreição do corpo, a Bíblia não grita; ela apenas sussurra. Mas, na confluência desses sussurros, ouve-se uma voz firme. Essa voz autoritária assegura-nos que, na morte, o cristão imediatamente entra na presença de Deus e desfruta de uma comunhão consciente com o Pai e com aqueles que foram antes dele.
 
De onde tiro estas idéias? Veja alguns dos sussurros:
 
Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho. E já não sei o que escolher! Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor.
(Filipenses 1.21-23)

A linguagem aqui sugere uma partida imediata da alma após a morte. Os detalhes gramaticais são um pouco entediantes, mas levaram um estudioso a sugerir: “O que Paulo está dizendo aqui é que, no momento em que ele parte ou morre, neste momento ele está com o Cristo”. 1
 
Outra dica vem da carta que Paulo escreveu aos coríntios. Talvez você já tenha ouvido a frase “estar ausente do corpo e habitar com o Senhor”. Paulo usou-a pela primeira vez em 2 Coríntios 5.8: “Preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor”.
 
Não gostamos de dizer adeus aqueles a quem amamos. Mas, se o que a Bíblia diz sobre o céu for verdade – e eu creio que seja – então a oração final, a ultima oração respondida, é o céu.
 
É justo que choremos, mas não há necessidade de nos desesperarmos. Eles tiveram dor aqui; não têm dor lá. Eles lutaram aqui, não têm lutas lá. Você e eu talvez estejamos curiosos para saber por que Deus os levou para casa; mas eles não estão. Eles entendem. Estão, neste momento, em paz na presença de Deus.

FAZE-O NOVAMENTE, SENHOR UMA ORAÇÃO PARA OS MOMENTOS DE AFLIÇÃO

QUERIDO SENHOR,
A nossa esperança ainda é a de despertarmos. A nossa esperança ainda é a de abrirmos os olhos sonolentos e pensarmos: que sonho horrível. Como isso pôde ter acontecido?
Estamos tristes, Pai.
 
E por isso nos achegamos a ti. Não pedimos ajuda a ti; nós a suplicamos. Não pedimos; imploramos. Sabemos o que tu podes fazer. Lemos as historias. Refletimos nas historias e agora suplicamos: “Faze-o novamente,
 
Senhor. Faze-o novamente”.
 
Tu te lembras de José? Tu o resgataste do poço. Tu podes fazer o mesmo por nós. Faze-o novamente, Senhor.
 
Tu te lembras dos hebreus no Egito? Tu protegeste seus filhos contra o anjo da morte. Temos filhos também, Senhor. Faze-o novamente.
 
E Sara? Tu te lembras de suas orações? Tu as ouviste. Josué? Tu te lembras de seus medos? Tu o inspiraste. E as mulheres no tumulo? Tu ressuscitaste sua esperança. As duvidas de Tomé? Tu as levaste embora. Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente.
 
De cativo, tu transformaste Daniel em um conselheiro do rei. Tomaste Pedro, o pescador, e o fizeste Pedro, o apostolo. Por causa de ti, Davi deixou de conduzir ovelhas para conduzir exércitos. Faze-o novamente, Senhor, pois precisamos de conselheiros hoje; precisamos de apóstolos; precisamos de lideres. Faze-o novamente, querido Senhor.
 
Sobretudo, faze novamente o que fizeste no Calvário. O que vimos nesta tragédia, tu viste ali naquela sexta-feira. A inocência acabou. Deus estava sofrendo. Mães estavam chorando. O mal estava dançando. Assim como as sombras caíram sobre nossos filhos, a escuridão caiu sobre o teu Filho. Assim como nosso mundo se despedaçou, o Filho da Eternidade foi transpassado.
 
E, ao anoitecer, a canção mais doce do céu foi o silencio, enterrado atrás de uma pedra.
 
Mas tu não hesitaste, ó Senhor. Tu não hesitaste. Depois de seu Filho permanecer por três dias em um buraco escuro, tu rolaste a pedra, bradaste na terá e transformaste a sexta-feira mais escura no domingo mais brilhante.
 
Faze-o novamente, Senhor. Transforma este Calvário em Páscoa.
 
Obrigado por estas horas de oração.
 
Que tua misericórdia seja sobre todos os que sofrem. Concede aqueles que nos conduzem uma sabedoria que vá alem de seus anos e experiência. Tem misericórdia dos feridos que ficaram. Dá-nos graça para que possamos perdoar e fé para que possamos crer.
 
E olha com bondade para a tua igreja. Por dois mil anos tu a tens usado para curar um mundo ferido.
 
Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente.
Por meio de Cristo, amém.”
 
Fonte: Dias melhores virão - Max Lucado